segunda-feira, 16 de março de 2009

entre o filó e a sapatilha

Faroleiro, tomei a decisão mais importante: Serei bailarina. Bailarina destas de caixinha de música: os braços delicadamente erguidos, o tronco reto e esguio, o rosto humildemente inclinado em sinal de serventia, o olhar concentrado e singelo e, ainda como se não bastasse, serei apenas leveza sustentada na pontinha dos pés. A caixinha será minha morada; não esperarei heróis nem príncipes, pois bem sei que maior amor encontro naqueles de coração ferido. Tampouco estará a porta assim tão sem impedimentos! É provável que faça um enigma: para aonde correm as meninas? Uma vez aberta a caixa, a última prova: o primeiro contato entre mãos(do outro) e corpo(o meu) deverá procovar o mágico arrepio - a mistura indizível de prazer, respeito e encantamento. Se não for isso, então nada feito; nada de música ou dança. Porém, uma vez despertado o corpo casto, terá - o eleito - o convite eterno para o meu balé íntimo de amor e desejo.

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