quinta-feira, 12 de março de 2009
Dia desses recordava outros passados (são tantos que muitos perdem-se, irremediavelmente). Íamos eu e Alice no ônibus, a luz difusa do fim da tarde cegava-me e, cego, lembrava melhor e, com a memória correndo mais fluida, modulava qualquer coisa harmoniosa e delicada. Invencionice, pois trata-se sempre de inventar - "A memória é uma ilha de edição", lembra, Waly?. No caso, inventávamos nomes. Éramos amigos e para sempre. Éramos muitos... e inventávamos nomes. Achavamos que nossos nomes não se pareciam conosco. Soavam sempre antiquados, pouco vivazes para o tanto de vida que não podíamos conter. Então, no ônibus, cego e saudoso, imaginava um nome para Alice, mas perdi-me - pura sorte: jamais chegaria a Alethia, "a verdadeira". Ao menos cheguei a você, impronunciável e sem chá, enquanto seguíamos por caminhos distintos e afins... repletos de nomes... e flores... e pedras.
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