domingo, 8 de março de 2009
Abandono
Hoje é um dia muito triste. Como foi também ontem e anteontem. Todos os dias são um pouco tristes e um pouco felizes. Mas os últimos têm sido muito tristes. Tristes pelo calor exagerado. Tristes pelas perdas. É estranha a construção das relações. E todavia mais é a manutenção dessas redes. Penso no apego, na carência e nos desdobramentos desses sentimentos. Nossa necessidade de que as coisas tenham um princípio, um meio e um fim. Nosso desalinho quando elas não são concluídas. Nossa inquietação. Estou inquieta e triste. Desalento e abandono. Será que ela também se sentiu abandonada? Culpa. Onde ela estará agora? Será que está bem? Será que sente dor? Hoje o que eu mais quis foi me desapegar. Hoje eu desejei esquecer tudo para não chorar, para desafogar meu peito e meus olhos lacrimosos cansados. Hoje é um dia triste e disso não posso esquecer. Hoje não a enterrei, mas foi como se a tivesse visto pela última vez. Um corpinho ainda quentinho, adormecido e tranquilo, porém sem vida, jaz no meu quintal e no meu coração. O pior já tinha passado. Agora só vejo dor e abandono.
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que triste... muito triste. Nó na garganta.
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