Há pouco bebia do livro que não me emprestastes. De súbito tive a clareza de que jamais o devolveria. Não pela riqueza dos poetas, da vida verdadeira que corre por aquelas linhas (são cartas infinitas), mas pelas mãos que o percorreram, pelos olhos que buscaram ali algum sentido, pelos sentidos todos convertidos à palavra, bendita e bela palavra alheia. Então, acabei aqui, no meu posto de operações, breve e inútil. Perdoe-me o mau uso de tua sensibilidade. Vou passar ao violão, que só me permite a palavra misteriosa. Acho que jamais serei compositor.
Um beijo.
Devolva-me o livro!
ResponderExcluirDevolva-me como ele estiver.
Nunca mais será o mesmo livro. Já foi para tuas mãos diferente da primeira vez que foi lido. Ao bebermos do livro que compartilhamos, fazemos parte dele. Nele há algo intangível. Devolva-me o livro! Saberei que em nós ficou um pouco dele e que em suas páginas ficou um pouco de nós.