No reflexo quase somos
um casal
a não ser pelo fato de
não sermos
sob as lentes
do arnette falso, meu disfarce
algo verdadeiro sente
falta
de ouvir seu sim
com mais frequência
ganhar um olhar
quando se afasta
mas você
tem suas lentes
caras
o Sol poente confere
ao reflexo
ares de tela
a cidade passa veloz
por nós
emoldurada na janela
no vidro vejo uma cena
parece um casal de cinema
você bela
sonha uma conversa
pro dia seguinte
seguir
eu já não valho a pena
sinto coisas de cão
impulsos de perseguir
domar, mordê-la
covarde
o amor é essa coisa
pequena
a falta que a gente sente
de um papo de fim de tarde
a música que se reparte
enquanto não chega
a hora
de descer
Rio de Janeiro, 09 de outubro de 2007
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