quinta-feira, 12 de março de 2009

havia uma flor no meio do caminho

Eu estava distraída na janela vigiando a chegada do correio. A encomenda que recebi não era a sua - você atrasado, a carta (a outra), fatalmente entregue no momento exato da espera. Ora, meu coração cansado não resistiu à euforia de uma delicadeza em prosa e se permitiu, outra vez, ser aliciado. É claro que o afago desejado-perdido-encontrado teve o efeito de brisa a refrescar o pescoço em dias quentes – ainda que o elo entre vento e corpo seja mais passado que vontade de agora. Depois do arrepio, o que fica é um papel borrado de suposições e nenhum sentido se não o da tolice infantil de se distrair com o presente envolto em laço de fita quando, considerando a natureza daquilo que se quer, não deveria nunca estar embrulhado. (...)
Mas já te digo, Faroleiro, que estou recuperada da minha frágil vaidade; Voltei para casa em tempo de te receber e me aprontar pra festa de nós dois – você, gelo-correnteza, eu, vento-oceano. E quando eu ficar cansada de tanta alegria e cor, só saberei de dormir tranqüila ouvindo o dedilhar do seu violão mudo.

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Ah! Havia uma flor no meio do caminho, mas eu nem sei mais como ela chama.

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