Menina,
Desculpe-me pela ausência de notícias. É que passei por dias um pouco atribulados. Como sempre é bom receber notícias suas. Mesmo que elas sejam em forma de um breve bilhete com uma leve chamada de atenção pela minha ausência injustificada. Estou tão inquieta esses dias... às vezes me vem um desânimo sem fim, uma vontade profunda de dormir e deixar o sonho me levar para um lugar mais calmo. Outras vezes, tenho rompantes de ansiedade e faço muitas coisas ao mesmo tempo. Corro mais do que devia, penso, ajo, corro, paro. E outra vez corro mais do que devia, penso, ajo, corro, paro. Até desanimar novamente. Oscilo entre essas sensações e vou levando a vida. Lembrei dos tempos de Andaluzia, da vida branda e lenta. Do andar de bicicleta na chuva, deixando empapar as roupas e de ir batendo os dentes de frio até chegar em casa. Apesar de tudo, livre. Lembrei também das tardes pós-colégio, quando adolescente, em que saía às pressas da escola para encontrar um amor primaveril. A deliciosa sensação da descoberta e do proibido. Quem poderia saber? As festas de minha cidade com os antigos amigos, com os quais hoje tenho pouca ou nenhuma identificação. A subida em uma montanha cheia de neve. A falta de ar. O cansaço. E lá no alto encontrar os braços do companheiro-namorado, que te guia com carinho, graça e devoção. Perder-se por ruas desconhecidas. Achar-se nos símbolos e nas lembranças do que já se encontrava dentro, mas faltava ser tocado. O prazer do retorno. De abraçar alguém querido. De chorar de rir. De encontrar um olhar te olhando. São memórias de um passado saudoso e ainda próximo, mesmo sabendo que já me aproximo dos 30 anos. Calma, ainda há tempo. Apesar da saudade, estou bem. Bem de verdade. É certo que ainda há muito o que melhorar, mas não me queixo. Como a maturidade, a plenitude chega devagarinho. E devagarinho divagamos nós sobre sentimentos, sensações, experiências, lembranças... Até onde a memória alcança, até onde o coração aperta e o corpo suporta. Até onde a pena alcança, até onde o calo aperta e a vida suporta.
cada dia mais encorpado... já direi ALGO a respeito. aguarde.
ResponderExcluir"Achar-se nos símbolos e nas lembranças do que já se encontrava dentro, mas faltava ser tocado."
ResponderExcluiresta frase aó, oh, que é minha! hihihihi
pára de ignorar meus e-mails e SMS's!!!