terça-feira, 26 de maio de 2009

Eu sei, eu sei...

Esta carta segue em duplicata.

Para Alice e Bailarina,

Escrevi este poema faz muito tempo... e ele já era para vocês...


Eu não estive aí naquela vez
Você também não veio quando quis
A gente sabe que não é por mal
Viver é cada dia mais veloz
Há muito já não ouço a sua voz
Que deve ter mudado, eu já nem sei
Se a cor do seu cabelo agora tem
Mais grave ainda ou o mesmo velho tom
Talvez eu reconheça pelo olhar
Se a gente se encontrar e sem querer
Trocar umas palavras na estação
De uma linha futura do metrô
Com nossos netos pegos pelas mãos
Vou esquecer e você vai lembrar
Daquele ano em que, no reveillon
Nos encontramos lá na beira-mar
E eu vou falar daquele carnaval
Que na verdade ainda não passou
E vamos rir de novo pra valer
A gente, que se via todo dia
E ria junto até sem ter razão
Vai seguir, cada um pro seu lugar
Pela calçada larga, quase hostil
Numa quinta qualquer do mês de abril
Se o nunca mais não nos interromper
E mesmo se a gente não se abraçar
Que intimidade é coisa que se esvai
Com o tempo, este tremor que tudo rui
Um gesto vai fazer você saber:
Você andou comigo aonde eu fui.

Um beijo duplicado.

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