Pousou delicadamente a mão sobre o seio dela. Ambos sabiam que era um gesto de amor, ainda que nada nunca houvesse sido dito. Era um carinho com gosto de despedida. A sensação de sentir o pulsar do seu peito, talvez, pela última vez, atordoava-o. Assim ficaram por alguns instantes. Instantes de ternura. Abraçaram-se longamente, deitados, calados, nus. A vida podia passar toda assim, terna, eternamente.
O dia da despedida passou como se não fosse, como se houvesse um seguinte e os seguintes. Houve, mas muito tempo depois. E nesses dias, a pergunta de sempre era: - “O que faço contigo?”. E a sempre pergunta-resposta: - “O que fazemos de nós?”. Nunca se sabe ao certo o que fazer com alguém e quando é que essa decisão tem de ser a dois, mais que um, um em dois, dois pra um. A reticência de assumir: - "Sim, quero!" O medo de recusar: - "Não, não quero..." A sempre constância da espera, mais adiante tratamos disso, o medo do precipício, a incerteza da dúvida.
O fato é que ainda não sabemos. E se não tentarmos jamais nos responderemos.
- "Sim, tentemos!" Uma vez mais, aceito teu convite.
Aceita o meu?!
Te espero, cedinho, para o café da manhã. Para você, reservo as melhores frutas da estação, o pão bem quentinho com a manteiga derretendo, a xícara de café, os sucos da minha Terra. A geléia como sempre fica por tua conta. Se quiser, te preparo um chá, puro ou com mel.
Tudo bem doce, bem bom, da maneira como já foi e como deverá ser se....
Respondo: - "Sim, quero!"
E seja o que Deus quiser.
Estou aqui. Vem?!
Nenhum comentário:
Postar um comentário