sexta-feira, 10 de abril de 2009

sob o céu de vidro

outro dia escrevi uma carta de amor. não parecia, mas era exatamente isto: uma carta de amor. a letra miúda a se espalhar pela folha arrancada do caderno, pintada de marrom e traço fino. nem sei mais o que eu dizia no bilhete, só sei que era amor. e dos grandes. daquele que espera com sorriso, abraço e convite. daquele tipo encantado - o amor que entende. entender é importantíssimo... e bonito. bonita era a menininha que me distraía do ofício da escrita naquela tarde; ela mal equilibrava o corpo e danava a correr sob o céu de vidro em que estávamos. havia outros, mas eu estava apenas para duas coisas: a carta e a menina. ela estava para uma coisa só: correr. já faz tempo alguém me disse: letra pequena é coisa de gente sem ambição. pois nunca mais esqueci e, algumas vezes, temendo que o outro duvidasse do tamanho da minha vontade, forçava escrever grande, mas pela força não saía direito... então fui deixando a letra grande, a letra menor, a letra. (...) a menininha corria todas as vezes que tinha chance; era só alguém se distrair e ela ia, atrapalhada e feliz. pois rabisquei outra vez o papel e, na primeira tentativa, achei que não podia mais escrever. a sorte - e ultimamente tenho mesmo achado que é sorte - é que era uma carta de amor. e amor quando a gente sabe que é, o outro sente. e acha bonito. e entende.

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se escrevo pequeno, é só para caber.


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