segunda-feira, 6 de abril de 2009
Passos
Mais uma vez ela dizia adeus. Um adeus consciente. Um adeus certo de que aquela era uma decisão acertada. Poucas horas depois, ela volta, sorri e pede desculpas a si própria. Teve pena do afastamento. Teve pena de si. Foi um impulso, bem o sabia. Mas preferiu não evitá-lo. Rendeu-se, mais uma vez, àquela sensação estranha de desesperadoramente querer partir e irremediavelmente decidir ficar. Não se arrepende. Um coração fraco sabe de suas angústias. Se aquieta e se deixa levar. Se deita. Repousa. Fica por um momento em estado de graça. Não sabe se está desperta ou se dorme. Mas mantém os olhos fixos, perdidos em uma tela que já não lhe diz coisa alguma. Suspira. E sente outra vez o conforto de saber-se querida. Mesmo que esse sentir dure apenas algumas horas de toda uma semana. Passam os dias. Passam as horas e os minutos quase se arrastam, moribundos. Hoje, tudo o que ela queria era que o dia passasse. Para mais uma vez fechar os olhos e esquecer. E depois lembrar. E sorrir. E quase dormir. E em um possível sonho, receber a resposta que tanto buscava. A de que se havia pecado e se ele realmente existia, não foi por maldade sua. E se "não há castigo para a fatalidade", que ela seja a culpada pelos pecados do mundo, inclusive pelos meus e que a "Santinha dos pés pequenos", remediadora de todos os males, permita que eu também vá para o céu, se assim o desejar. Resta saber se é possível ir para o céu, sem necessariamente morrer. Porque pequenos como os pés dela, tenho os meus e apesar de alimentar uma ínfima esperança pela redenção, mais medo tenho de encontrar-me de pés pequenos juntos no céu do que de viver confundida no calor do inferno. Pelo menos sem os pés juntos, eu que não sou bailarina, posso atrever-me a alguns passos, não?
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