Sentir: gatilho; o dedo indicador diz não saber de nada.
Desponta uma direção: seguir; o irreversível fluir de tudo, único sentido; uma brisa basta: ventania, o olhar relampeja... não tarda uma voz trovoada... em algum lugar a memória, suas eternas reedições, reações em cadeia, as redes dos sentidos viciadas, pituitária, basta! Embalar-se; colo. Embalar-se: ritmo! Embalar-se... medo... veloz é a noite em disparada... sentir: o não-enunciável... seu reluzir aprisionado no reino de nunca-palavras; seus lagos de silêncio profundo, banhados de azul gelado; suas desérticas razões planificadas salpicadas do verde-amarelado de sua parca vegetação... rasteira, quase daninha... o olhar relampeja.... não tarda uma voz trovoada... em algum lugar, madrugada; abrigo, casas: todas com a mesma fachada... e no desejo das casas, nada de portas; e no desejo das portas, nada de chaves; e no desejo das chaves, nada que se abra... e no desejo de abrir-se, nada... sentir: o olhar relampeja... não tarda uma voz trovoada... querer, cachaça da alma... lá pelas seis é preciso chover, regar um poema digitalmente armazenado: o sentimento rotatório do disco... giro com ele, o salão me recolhe: seu chão de madeira gasta; seus pilares grossos, seu pé-direito inalcançável... seu 'já não lembrar-se de mim' acolhe meu 'já não lembrar-me de nada'... o olhar relampeja... não tarda... mas, de repente, amanheço...
calada.
Ah, se o indicador puxasse o gatilho... não haveria amanhecer... Ainda bem que ele disse não saber de nada.
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