Bailarina,
Manda-me então teu silêncio, para que eu o acolha como o verso soprado que não pude ouvir, jamais ousei perguntar, mas vive em mim como um rio, que escoa e jamais esvazia.
Com afeto,
Faroleiro.
quinta-feira, 4 de junho de 2009
quarta-feira, 3 de junho de 2009
Entre um café e outro
- Uma folha em branco é um convite tentador, não é?
- Hã?
- Uma folha em branco... é um convite e tanto, não acha?
Ela consentiu com um gesto e sem nenhum entusiasmo, mal suspeitando que tratava-se dela.
Ele apertou entre os dedos a folha de papel e impregnou de sua lisura os sentidos. Virando-a delicadamente, como se não soubesse o que encontraria no verso daquela página, ousou surpreender-se com o mesmo vazio, a mesma brancura, quando ela pousou os grandes olhos marrons delicadamente sobre os dele. Olhava de um olhar lento, demorado, como se pudesse compreender mais pelo tanto que lhe chegava aos olhos do que aos ouvidos.
Enquanto ela recolhia lentamente os olhos em direção às ordinárias tarefas do dia, um grito de pássaro ecoou dentro dele e, lançando à mão a caneta, pôs-se a escrever um poema antigo. A tinta vermelha ofereceu-lhe o acaso, pois tentou duas ou três canetas azuis e pretas que vieram a falhar. Quando terminou de escrever quis julgar se eram verdadeiros os versos, mas percebeu que, de revéz, o poema o houvera escolhido. Então seu coração aquietou-se por um segundo. Mas entregou-se novamente aos versos vermelhos e verdadeiros, agora escravos do papel, e num impulso de libertá-los, fez da folha um barquinho, atirando-o ao mar branco que se abria vasto a sua frente.
- Hã?
- Uma folha em branco... é um convite e tanto, não acha?
Ela consentiu com um gesto e sem nenhum entusiasmo, mal suspeitando que tratava-se dela.
Ele apertou entre os dedos a folha de papel e impregnou de sua lisura os sentidos. Virando-a delicadamente, como se não soubesse o que encontraria no verso daquela página, ousou surpreender-se com o mesmo vazio, a mesma brancura, quando ela pousou os grandes olhos marrons delicadamente sobre os dele. Olhava de um olhar lento, demorado, como se pudesse compreender mais pelo tanto que lhe chegava aos olhos do que aos ouvidos.
Enquanto ela recolhia lentamente os olhos em direção às ordinárias tarefas do dia, um grito de pássaro ecoou dentro dele e, lançando à mão a caneta, pôs-se a escrever um poema antigo. A tinta vermelha ofereceu-lhe o acaso, pois tentou duas ou três canetas azuis e pretas que vieram a falhar. Quando terminou de escrever quis julgar se eram verdadeiros os versos, mas percebeu que, de revéz, o poema o houvera escolhido. Então seu coração aquietou-se por um segundo. Mas entregou-se novamente aos versos vermelhos e verdadeiros, agora escravos do papel, e num impulso de libertá-los, fez da folha um barquinho, atirando-o ao mar branco que se abria vasto a sua frente.
segunda-feira, 1 de junho de 2009
entre umas e outras: pausa pro café?
pois acabo de te ler, querida. Me ver através dos teus olhos apertados foi como caminhar por um longo corredor de árvores altas e troncos firmes e, como se não bastasse a beleza do caminho, ainda ter a sorte de encontrar a passagem secreta da floresta com que sonhávamos em nossos tempos de meninice - aquela que nos traria de volta à casa, seguras e salvas, após uma longa aventura; então nos deitaríamos à cama e ao provar das gotas do chocolate que fervilha na xícara sobre a cabeceira, conseguiríamos aquecer, um pouco que seja, nossos corações desbravadores... Tão desbravadores que agora parecem por demais cansados.
(...)
Ando ausente, eu sei. talvez esteja apenas cumprindo o meu destino de ser só - E não por amor de menos...! Não por nada; esta queixa da vida é quase um vício. vou parar aqui... eu deveria era te dedicar uma canção alegre, fazê-la rir como naquele carnaval que tivemos ou ao menos ter a decência de retribuir o convite pro café. Isto sim, está feito: quer?
(...)
Ando ausente, eu sei. talvez esteja apenas cumprindo o meu destino de ser só - E não por amor de menos...! Não por nada; esta queixa da vida é quase um vício. vou parar aqui... eu deveria era te dedicar uma canção alegre, fazê-la rir como naquele carnaval que tivemos ou ao menos ter a decência de retribuir o convite pro café. Isto sim, está feito: quer?
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