sexta-feira, 18 de setembro de 2009

Distribuição de segredos

Foi a partir de um e-mail inesperado e singelo que me bateu uma vontade louca de distribuir segredos. Pois bem, que hoje seja o dia de abrir o livro de não sei quantas páginas, deixar o pudor falar mais baixo e as vergonhas de lado. Foi a partir de um e-mail singelo que me deu vontade de contar coisas que a maioria ainda não sabe sobre mim. Ou, ainda, que ao dizer coisas que a primeira vista não têm conexão com outras, seja possível abrir esse outro lado que quero amadurecer ou, pelo menos, entender.

- Tenho muita vontade de ficar sozinha
- Houve um incêndio numa casa da minha rua, mas eu só espiei do balcão e não quis descer pra ver de perto
- Há mais ou menos umas vinte pessoas que esbocei uma caricatura literária a seu respeito, mas elas nem se dão conta
- Sou bastante discrente dos eloquentes teóricos
- Pago para fazer um mestrado
- Quero um compromisso
- Às vezes me passam pra trás
- Ando quilômetros por dia pra conhecer um território novo
- Choro quando tenho raiva
- Não tenho tendências violentas quando acordo
- Anteontem me senti um cocô
- Tento ser simpática, ainda que me custe
- A mulher da quitanda brigou comigo porque apertei o pêssego pra saber se tava maduro. Respondi a ela com a minha melhor educação, percebi que tava duro e por isso também não comprei.
- Entrei no chinês para adquirir um adaptador. Me atendeu um que não falava espanhol. Me empurrou em mandarim um mega super por 7,70 e eu acabei levando um de 0.75
- Ri baixinho das senhoras que entraram encharcadas no ônibus por causa da chuva
- Suei bicas carregando minhas malas para um novo apartamento
- Comprei coisas saudáveis para o café da manhã
- Penso em estrear meu tênis novo de esporte
- Chorei quase as dez horas que distanciam o Rio de Lisboa
- Sinto saudades
- Amo várias pessoas ao mesmo tempo
- Brinco de me reinventar cada dia
- Etc
- Etc
- Etc

Amanhã certamente serei outra porque passarão outras coisas. Outras coisas que passam todos os dias e que eu assimilo e incluo ou não dou bola e jogo fora. Isso que me faz sentir viva e gostar dessa sensação.
Tento escutar mais essa voz que ecoa desde dentro, que pulsa e grita. Aquela que me alça a descobrir novos mundos.

Quantos mundos cabem dentro do meu mundo?

Quantos segredos ainda faltam por distribuir?

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