sexta-feira, 10 de julho de 2009

mi casa, tu casa

outro dia, sentada no bar com amigos, ouvi dizer: ética é o melhor de si mesmo. algo assim. e fiquei com isto estalando por dentro. estou às voltas com a tal 'cooperação internacional', seja no trabalho, seja nas teias afetivas que me sustentam e alegram. e nesta torre de todas as cores e letras possíveis, há quatro termos sagrados: diversidade, paz, diálogo e tolerância. - antes de escrever sagrado, ia escrever 'bíblico', mas pensei que estaria deixando de lado as muitas possibilidades de fé, inclusive a fé matéria-bruta que é a fé no outro. aliás, aprendi um termo novo: plurinacional. e gosto deste porque plurinacional não nega a origem, conjuga hábitos comuns e aceita a diferença. eu tenho o verde-amarelismo um pouco desbotado. não por vergonha, negação ou rebeldia. é desbotado porque me permiti expandir, simplesmente. me permiti bagunçar cores, ritmos, palavras, jeitos, temperamentos. bagunçar não como quem visita, mas como quem faz parte. é bem diferente e é preciso comunhão entre quem dá e quem recebe. uma coisa é ser anfitrião, outra é ser hospitaleiro. alguns podem ter me visto imigrante, se fui, foi apenas sob uma condição: imigrante de mim mesma, porque não moro em mim faz tempo. mais que isso: não caibo. atravessar a rua pode ser perigoso e não é pelo outro que está parado suspeitamente na esquina. é por você mesmo - eticamente falando...

quarta-feira, 8 de julho de 2009

It's been a hard day's night, and I've been working like a dog...

E sentiu a vista queimar como se lágrima fosse brasa. Não ouviu, leu. Leu com olhos vermelhos metade impotência, metade sangue-quente de quem teve no passado estrela no peito e um ideal: queria a coisa certa, apenas. (...) É claro, passados tantos anos e algumas decepções, provavelmente se contentaria com a coisa errada travestida de correta, desde que a máscara fosse bem feita; ser conivente com o abuso descarado das artimanhas do outro não cabia naqueles olhos... Estava tudo ali, tão desleixadamente dissimulado que a vontade era dizer letra por letra:

F-A-L-C-A-T-R-U-A.

Era uma indignação desmedida, ainda maior diante do discurso retórico e ofendido da parte desmascarada. Mas estava segura: não há castigo para a honestidade. Pior seria a comiseração íntima de se calar, simplesmente. Então disse. Não a palavra 'falcatura' como gostaria, mas disse levemente: negligência. disse: benefício a terceiros em detrimento do interesse público. disse: justifique a opção pela operação desvantajosa. Disse... Disse com palavras de veia alta, pulsante. Disse firme e sem delongas, mas com toda a polidez possível. Toda a polidez plausível quando se aponta o dedo na cara de Deus e fala pra ele: eu vi.

Mas Deus é Deus.

E sentiu a vista queimar e entendeu que lágrima é mesmo brasa, só que ninguém sabe.

domingo, 5 de julho de 2009

ça va bien

That was me, that was me, that was me:

Tão segura no que era futuro
E tão forte no que era fim
E tão firme no que era palavra
E tão convincente no que era voz
E tão imponente no que era postura
E tão horizonte no que era olhar
E tão independente no que era amor

O Tempo está
des
bo
tan
do
As minhas cores favoritas.

O que era um plano... É fato
O que era uma expectativa... É data
O que era distante... É agora
O que era vizinhança... É hemisfério norte.

Tic-tac-tic-tac-tic…

Era um mágico, bruxo ou inventor? Não lembro...
Acordei e estava escrito no meu pensamento: “Outro alguém se chegará... E dará corda na vida da gente. Brutalmente”.