quinta-feira, 15 de abril de 2010

Sua carta chegou

Desceu as escadas do velho edifício sem muito ânimo. Do ontem muito bem disfrutado com a companhia de velhos e novos amigos no Parque da Cidade, recebendo o brinde do sol e da primanvera, à manhã cinza de hoje. Tudo já tinha mudado. Se entretinha escutando o estalar das gotas de chuva no telhado do prédio e a cada degrau que lhe fazia aproximar-se da rua úmida, lhe provocava uma sensação desconfortável e intolerante.

Olhou a caixa de correspondências, sem muita expectativa, como faz diariamente. Abriu-a e deparou-se com um envelope. Inesperado, com aquelas famosas bordinhas verde e amarelas, não negavam sua procedência. Raptou o envelope como se ele a qualquer momento pudesse escapar da sua vista e guardou-o no fundo da bolsa para não correr o risco de perdê-lo. Esteve pensando nele durante os longos quinze minutos que separam a sua casa da biblioteca. O percurso nunca foi tão inquieto. No caminho, idealizava o conteúdo daquele envelope. Carta ou cartão postal? Fotos? Documentos? Notícias de uma ou mais pessoas? Pelo peso parecia notícias do mundo inteiro!

Eram notícias em longa carta, com fotos e muitas saudades! Eram doses de carinho fraterno que a distância potencializou. Era alguém que sentiu falta e na correria dos seus dias disponibilizou minutos para o agrado. Era o compartilhar de histórias passadas. Era o almejar da presença futura. Era um afago que chegou em dia e horários certos. E o desejo de muitas felicidades e conquistas.

O dia continuava cinza, mas seu humor ganhou novas cores. Só uma boa surpresa é capaz de provocar mudanças em nosso temperamento e em nossa perspectiva das coisas.

Para você, o aviso: sua carta chegou! E com ela a anunciação do meu desejo que nos vejamos outra vez muito em breve. Eu, num vestido de madrinha e você, em um longo branco, de braços dados com o pai, sob o olhar orgulhoso e emocionado da mãe.

Crescemos, não é? Novas fazes, novos rumos. Novas conquistas e novos brindes.

Brindemos! Porque só temos o que comemorar! Que venha outubro e a festa será nossa!

Um beijo fraterno com todas as saudades do mundo.

Isabella Henrique – 15 de abril de 2010

quarta-feira, 31 de março de 2010

De repente, tudo que era já não sou mais. E posso voltar a ser o que queria antes desta história começar... Outra chance, outro jeito, outras coisas.
Inventar outro sonho, experimentar outro caminho, falar outro idioma, dançar outra música, dormir noutra cama, conhecer outras pessoas.
De repente, posso acordar mais tarde, pegar outro ônibus, outro avião, outra cidade, outro futuro.E outras cores, outros gostos, outra estação -céus! Eu posso ter dois verões num único ano. E duas primaveras, Ah! A Primavera...

E outros cinemas,
outros bares,
outros restaurantes,
outras cervejas!

(!!!)

Pode ser da vida acostumar, mas de repente... Outra vida; É pegar ou largar.

quinta-feira, 25 de março de 2010

Fragmento

Fostes
E há muito na direção
De tua imagem é que avanço
E a ela peço que vá
E a ela mesma digo que fique
Numa profusão, confusão, confissão acelerada e tardia
Revisito um teu sorrir, colhem-me os dias
Recobro vagamente uma coragem longínqua...
Onde andarão?

Cuida
Não te preocupes
É demais verdade, há o frio
E flores logo mais
E logo outros amores
Novos ais, viva!
Não te preocupes
Ficaram as tuas mãos de passarinha
A curiosidade, a espera
Noite aberta brilha ainda tua voz acesa

Ficou o teu perfume pelas praças
E um frutinho da palmeira sobre a mesa