sábado, 16 de janeiro de 2010

Justificativa

Nada justifica teu aparente desamor
nada além do que fomos
do que somos
do que não deixaremos de ser

Apesar da ausência
da distância
do que nos faz desamar (nos)
e esquecer (nos)

Somos sim fantasmas
Tamborim sem baqueta em pleno carnaval
Cuica sem corda na roda de samba
Surdo mudo na avenida

Vivos...

Só mesmo as aparências mascaram
O que o coração tenta esconder
Estamos aqui
E na via de mão dupla
Mais um grito agudo ecoa

quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

Nada justifica meu aparente desamor
Nada além do que sou
Este ser mudo de gestos, um surdo ébrio
soando descompassado sem ninguém que o batuque

Um instrumento fantasma
Pouco visto e de quem se ouve apenas
rumores

Uma pele já morta

Aparentemente morta e estirada
sobre o círculo largo de madeira cujos própósitos graves
resumem-se na tua crença
de que estou aqui
e grito
dores de saudade

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

e alguém me disse: você não tem escrito ultimamente.

e então pensei que não tenho mesmo. que deixei engavetado (mais uma vez) o projeto do livro que até ainda pouco rendia alguma distração. que sou um pouco viciada em missões impossíveis. que penso melhor quando estou no chuveiro, de preferência de cabeça baixa com a água quente queimando a nuca. que coloco o despertador pra mais cedo à toa, já que não levanto. que desperdiço tempo e pessoas por mera fixação no tempo (passado-futuro) e pessoas(outras). que estou cansada de ficar especulando, bom seria por as cartas na mesa. bom mesmo seria ter cartas na manga! que se o mundo acabar de fato em 2 anos, qual o sentido de investir em algo a longo prazo? qual o sentido de pensar nisso com seriedade? talvez pra sustentar uma conversa sem intimidade, algo como previsões do tempo... bem diferente do que ficou por dizer, bem diferente de já não dá mais pra ser assim. porque já não é assim mais. e pra provar que as coisas não vão nada bem, veio a sede e não tem água na geladeira...
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Mas champanhe tem.